E há uma altura em que conseguimos perdoar. Chega assim, de mansinho, e dá-nos uma pancadinha no ombro. A princípio nem nos apercebemos - franzimos o sobrolho, olhamos para o lado e pomos os ouvidos à escuta mas parece que, nos entretantos, tudo nos distrai. As ideias antigas e os sentimentos menos bons pressentem o que está a acontecer e lá vêem eles, em debandada, a forçar as entradas e a inundar a cabeça. E é de repente que tudo se ilumina: uma gargalhada, um olhar cúmplice, uma conversa profunda que faz esconder a tristeza e a mágoa e dá lugar à esperança . É nessa altura que se faz as pazes com a memória, se redescobrem afinidades, se relembram outras andanças e se chama de volta o carinho, passando à frente da raiva e da desconfiança. Aceitam-se os erros, vive-se a união e adormece-se com uma leveza interior que há muito não se sentia. Finalmente há um elo que encontrou, novamente, o seu par. Agora, é reforçar as amarras e, sobretudo, ter vontade de o fazer.
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